quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Você Acredita nessa dupla?

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Revista do Brasil - Edição 43
Política
Tragédias do marketing

Resultados de campanhas publicitárias que fizeram o eleitor acreditar no que não viu, as gestões de Kassab, principal obra de Serra em São Paulo, apostam na propaganda e desprezam o combate às desigualdades, único meio de melhorar a metrópole

Por: Antonio Biondi e Marcel Gomes

Publicado em 20/01/2010
Tragédias do marketing
Transbordando de gente a escolha é implacável: o metrô abarrotado ou o ônibus lotado (Foto: Jailton Garcia)
O catador de papelão Francisco Oliveira de Lima, de 45 anos, morreu durante o sono no último dia 8 de dezembro. Foi soterrado pela lama que deslizou sobre sua casa, em uma área de risco no Jardim Elba, zona leste de São Paulo. Nem ele, nem ninguém tem culpa de ter caído naquela única noite um terço da chuva esperada para o mês inteiro. Mas ficou evidenciado que a cidade de São Paulo nunca esteve tão despreparada para prevenir ou minimizar tragédias decorrentes da triste combinação de intempéries com ocupação urbana desordenada. E áreas de conhecido risco acabam mais expostas com a inversão das prioridades na administração pública. 
Duas semanas depois, algumas áreas da zona leste ainda estavam submersas, e a população, sujeita a contaminações. Em algumas áreas alagadas a água da chuva se misturava a esgotos não tratado por problemas de bombeamento de uma estação da Sabesp, a empresa de saneamento do estado. E isso não é obra da natureza. Colado nos passos do governador José Serra (PSDB), de quem herdou a prefeitura, o governo de Gilberto Kassab (DEM) passa ao largo das questões em que a cidade é mais carente e frágil. De 2006 a 2009 a prefeitura cortou R$ 353 milhões em ações de combate a enchentes. Dados da liderança do PT na Câmara dos Vereadores mostram que, em vez de executar R$ 1,1 bilhão previstos para essa finalidade nos últimos quatro anos, o democrata utilizou R$ 751 milhões. Nesse mesmo período, empenhou R$ 216 milhões para dar publicidade a outros “feitos”. 
O descaso assemelha-se à inépcia dos investimentos feitos pelo governo do Estado ao longo de mais de 20 anos para conter as enchentes do rio Tietê. Em 2009, Serra deixou de gastar R$ 114 milhões nas obras de desassoreamento da bacia do Tietê. E o Orçamento de 2010 prevê um corte de outros R$ 51 milhões para ações antienchentes. O Departamento de Água e Energia Elétrica do Estado de São Paulo, responsável pelas obras da calha do Tietê, terá R$ 42 milhões subtraídos dos seus investimentos. Na capital, o prefeito utilizou menos de 8% dos R$ 18,4 milhões previstos no Orçamento de 2009 para a construção de piscinões, que poderiam amenizar os efeitos das enchentes. E gastou R$ 80 milhões em publicidade. Para 2010, a equipe de Kassab prevê R$ 25 milhões para obras e gerenciamento de áreas de risco, um quinto do que pretende destinar a publicidade – R$ 126 milhões, novo recorde na história da cidade. Repetem-se no município as práticas de Serra, que este ano separou R$ 561 milhões para a rubrica comunicação. Em 2006, último ano antes de Serra, o estado despendeu em publicidade R$ 37 milhões. 
ônibus lotado
A gastança tem objetivos. Kassab trabalha com a possibilidade de suceder Serra no governo do Estado. Nessa hipótese, também abandonaria a prefeitura antes do fim do mandato. Isso enquanto estiver nos planos do governador manter-se na briga pela sucessão de Lula – porque o temor da derrota já faz sua desistência ser cogitada. Na mesma toada, Serra abusa da verba publicitária para promover seu governo. Pois a opção, se desistir do Planalto, será tentar a reeleição. E, aí, interessa também a prefeitura sair bonita na foto, já que sua obra mais concreta foi ter deixado a cadeira para Kassab. Mesmo que o casamento não vá muito longe (o democrata já vê cara feia por parte de setores do PSDB), a lama da capital tende a espirrar na campanha tucana. Assim, a principal preocupação da dupla, que já conta com a omissão da mídia – pois não se vê notícia ruim sobre eles –, é a construção da imagem. Só não se sabe até que ponto o marketing competente que criou o Kassabinho de brinquedo bastará para fazer frente à desconfiança crescente da população. Impostos mais altos, privatizações e corte nos gastos com saúde e nas vagas de escolas e creches, falta de investimento em transporte coletivo, trânsito caótico, déficit de moradias, ausência de participação popular, coleta de lixo deficiente, abandono da população de rua, desmantelamento da Guarda Civil Metropolitana são apenas alguns carimbos da gestão. 
A reportagem da Revista do Brasil fez um giro por todas as regiões de São Paulo, conversou com moradores, parlamentares e especialistas, e apurou que a cidade não carece somente de verbas, mas de rumo. A assessoria de imprensa da prefeitura não respondeu aos questionamentos sobre os problemas levantados. Os argumentos da administração foram extraídos do site da prefeitura e de depoimentos a outros veículos. 
Prá inglês ver
Segundo o cientista político José Paulo Martins Jr., professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, as discrepâncias entre o proposto e o executado fazem do Orçamento municipal uma peça de ficção, e não há nenhum controle social sobre os gastos. “Os políticos fazem o que bem entendem, exercem o Orçamento de acordo com seus interesses”, aponta. Em 2009, por exemplo, foram previstos R$ 90 milhões para o início da construção de três hospitais: na Brasilândia, em Parelheiros e na Vila Matilde. Apenas R$ 43 mil foram gastos (na sondagem do terreno da Brasilândia). A saúde ainda é um dos setores mais carentes da cidade. 
Atraso


50 milhões de reais, dos 218 milhões previstos, foi o que a prefeitura repassou para a expansão do metrô
A administração aposta no papel das Organizações Sociais (OSs) na gestão do setor, o que precariza o atendimento e reduz a pó os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), de universalidade, integralidade e equidade. Em hospitais entregues à administração de entidades religiosas existe até a denúncia de que são proibidos procedimentos de planejamento familiar, como laqueadura e vasectomia. Quanto à aposta da prefeitura nas Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs), especialistas e técnicos do setor afirmam que, por um lado, o novo equipamento pode trazer aspectos positivos, como a resolução imediata de alguns problemas, além de aperfeiçoar a triagem dos pacientes. Por outro, peca por apresentar integração frágil com as demais unidades de atendimento do SUS. Muitas vezes, o paciente tem de ir da AMA para o hospital, ou voltar para um posto de saúde (UBS). A falta de continuidade – que leva ao enfraquecimento de ações como o Programa Saúde da Família – é outro problema.  
Mais carros
4,4 bilhões de reais é o quanto Kassab anuncia investir em obras viárias nos próximos anos
No Conselho Municipal de Saúde, que define as políticas do setor, as disputas paralisaram por meses os trabalhos dos conselheiros. Reuniões são feitas sem a presença dos representantes da prefeitura, decisões foram desrespeitadas e conselheiros eleitos, não empossados. Os usuários, por exemplo, viram questionada a eleição de seus representantes pelo próprio secretário municipal de Saúde, que preside o conselho. Maria Cícera de Salles, representante dos usuários, avalia que a gestão atual da prefeitura “não quer o povo opinando, nem quer controle social”. Situação idêntica se dá no Conselho Estadual. 

Desigualdade

Estima-se que existam 20 mil moradores de rua na capital. O número praticamente dobra em relação a 2003, quando o mesmo estudo constatou que essa população era formada por 10.400 pessoas. Os dados estão num censo dos moradores de rua feito pela Fundação Instituto de Pesquisas (Fipe) da USP. Contribuíram para esse quadro a mudança na política de assistência social e o fechamento de albergues. Uma pesquisadora do censo, que não quis se identificar, afirmou que o cenário de abandono nos pontos centrais da cidade é chocante: “Ninguém conhece a realidade dessas pessoas, a mídia não mostra. Os moradores reclamam do fechamento de albergues e dizem que são levados de um lado a outro pelas peruas do São Paulo Protege. Mas não há política de inclusão. Eles têm consciência disso, mas não têm como reagir”.
 Lentidão
17 km/h é a velocidade média atual do tráfego nas horas de pico na cidade.  Em 1980 eram 27 km/h
A análise pode ser reforçada também pelo fechamento da Boraceia, estação coletora de lixo reciclável, reconhecida pela ação reintegradora da população de rua. Ali, os catadores tinham abrigo até para seus cachorros. O projeto e 15 outras estações coletoras foram encerrados. Faz parte da linha higienista imposta à região central. Assim como a evacuação dos prédios São Vito, Prestes Maia e Mercúrio, que simbolizavam a resistência e a chance de as classes mais pobres viverem no Centro – mediante um projeto de recuperação dos imóveis para posterior inclusão em política habitacional que já não existe. Hoje, na avaliação da prefeitura, o projeto de revitalização do Centro vai criar investimentos, empregos, melhorias e moradias. Nesse sentido, a valorização da região do Mercado Municipal é estratégica, e os prédios populares na área devem dar lugar a estacionamentos. Selma Maria de Andrade morou 24 anos no Mercúrio. Ela conta que as famílias eram unidas e viviam perto de tudo. “Na primeira ordem de despejo, a polícia veio, minha perna bambeou, a vista escureceu, chorei, me senti humilhada”, lembra-se. “Teve gente que saiu apavorada, até saiu da cidade. Outros nem têm como alugar imóvel, porque a imobiliária acha que não vão pagar o aluguel.” Paulo Garcia, diretor da Associação dos Comerciantes do Bairro da Santa Ifigênia, integra um dos grupos que resistem às propostas do prefeito de realizar uma concessão urbanística de um bairro inteiro, na região da Luz. Para a prefeitura, o projeto geraria uma transformação importante para o Centro e para o restante da cidade. “Para aprovarem esse novo projeto, fizeram uma campanha contra a região, como se ali só tivesse drogado e contrabandista”, acusa Garcia. Segundo o diretor, o prefeito Kassab não fala com a associação: “Ele está blindado pela mídia e por grandes gastos publicitários”. 
Longe do Centro, a desatenção à questão da moradia não é diferente. A construção em sistema de mutirão, apontada por especialistas como uma das formas mais baratas e indicadas para enfrentar o déficit habitacional, apresentou queda de 75% entre 2004 (R$ 22,4 milhões) e o Orçamento de Kassab (R$ 5,8 milhões) para 2010. 

Estelionato

Em 2008, imagens de Kassab entregando a Serra cheques gigantes estamparam jornais e campanhas. Um de R$ 200 milhões em março e outro de R$ 198 milhões às vésperas da eleição municipal. Os cheques “simbolizavam” partes do R$ 1 bilhão que a prefeitura investiria na expansão do metrô naquele ano. Outro bilhão seria repassado até 2012. Mas a verba não chegou por inteiro nem há garantia de que chegará. Naquele ano, a verba transferida para a Linha 5 - Santo Amaro não alcançou a metade da prometida. E em 2009 a prefeitura previa destinar R$ 218 milhões para a expansão do metrô, mas só repassou R$ 50 milhões, e agora em dezembro. Para 2010 estão previstos somente R$ 5 milhões, outros R$ 720 
O teatro não para nos repasses parciais. A prefeitura ainda transferiu para o Metrô a continuidade do corredor Expresso Tiradentes, o trecho do velho fura-fila que irá da Vila Prudente a Cidade Tiradentes.  O combate às desigualdades em São Paulo certamente tem nos investimentos em transporte coletivo um elemento central. Mas a prefeitura pretende investir cerca de R$ 4,4 bilhões em obras viárias nos próximos anos, priorizando a circulação de automóveis. O recurso daria para cerca de 20 quilômetros de metrô. Não é à toa que a velocidade média do tráfego nas horas de pico, que já foi de 27 km/h em 1980, hoje está em 17 km/h. 
Não se deu continuidade à expansão dos corredores de ônibus. A SPTrans, responsável pela gestão do transporte por ônibus, foi contemplada com R$ 1,35 bilhão no Orçamento aprovado para o ano passado. Na prática, o valor caiu R$ 110 milhões. E para 2010 a proposta enviada aos vereadores prevê R$ 1,07 bilhão. Uma queda de R$ 280 milhões em um ano. O descompasso é prejuízo certo para a cidade e põe em xeque metas fixadas para 2012, por uma lei de 2002. Para tentar não ficar muito longe do que estabelece o Plano Diretor Estratégico, Kassab encaminhou duas medidas à Câmara dos Vereadores. A primeira, uma proposta de reforma do Plano, que ainda nem sequer foi regulamentado. “Antes de fazer uma revisão, é preciso cumprir o que estava escrito”, afirma o empresário Oded Grajew, um dos coordenadores do movimento Nossa São Paulo. A segunda, o pedido de aumento no IPTU de boa parte dos imóveis da capital a partir de 2010, com o objetivo de faturar mais R$ 564 milhões com o imposto, o que lhe rendeu o apelido de “Taxab”.  

Falta diálogo

Despejada
Selma viveu 24 anos no Edifício Mercúrio: moradores foram expulsos pela política
De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação, atualmente cerca de 1,3 milhão de pessoas vivem em mais de 1.600 favelas. Essa população tem crescido a taxas de quase 4% ao ano. A administração considera que os programas de urbanização de favelas e revitalização dos mananciais são essenciais, e os benefícios – ambientais, sociais, de saúde e até de turismo e lazer –, muitos maiores que os problemas. Maria Gorete Barbosa, moradora do Parque Cocaia desde 1989, enfrentou em 2009 meses de grande preocupação, diante do projeto de revitalização da Billings, de Guarapiranga e outros mananciais. O projeto receberá aportes do município, estado e União que somam quase R$ 1 bilhão. E muitas famílias terão de deixar sua casa.  Gorete conta que, quando iniciaram as atividades ligadas ao projeto em sua região, ninguém tinha claro quais casas teriam de ser demolidas. “As pessoas não sabiam se iam sair ou se seriam beneficiadas.” De acordo com moradora, a prefeitura foi convencendo os moradores a assinar os papéis e a pegar o cheque oferecido, de R$ 5.600. “Quando fizemos manifestação, fechamos a avenida, alguns conseguiram R$ 8 mil, outros, cadastro para a CDHU”, recorda-se. Para ela, a prefeitura deveria explicar o que pretende fazer e discutir com as pessoas suas necessidades para obter nova moradia. “O diálogo com as comunidades e o respeito às pessoas são tão fundamentais quanto o investimento em saneamento, parques e recuperação das margens e áreas verdes.” O diálogo está ausente também em outros setores. Em Cidade Tiradentes, bairro tão grande e populoso que faz jus ao nome, há muita vegetação nativa, mas poucas praças e parques. Na avenida dos Metalúrgicos concentram-se equipamentos como Centro Educacional Unificado (CEU), hospital, pontos de cultura, clubes, até um pequeno mercado municipal. A perder no horizonte, conjuntos habitacionais e moradias populares. Tito, do Núcleo Cultural Força Ativa, atuante na região, afirma que hoje o CEU – pensado na gestão da prefeita Marta Suplicy para ser um centro de atividades esportivas e culturais à disposição da comunidade – está ao deus-dará. Apesar de a cidade ter dobrado o número de unidades desde o início de 2005, o público das atividades culturais despencou, por falta de diálogo e de política para elas. “A piscina está vazia, o sol a pino, a molecada em casa. Aí invade, dá confusão”, diz. “A grande preocupação do CEU kassabiano é a polícia, não os instrutores, a linha política, a visão de cultura. Em termos de educação e cultura, não há diferença entre escolas de lata e CEUs”, lamenta Tito. Não bastasse a descaracterização dos CEUs, a situação não foi melhor em creches e Escolas Municipais de Ensino Infantil (Emeis). Em 2004 havia 44.796 crianças nas creches diretas (administradas pela prefeitura), 27.526 nas indiretas (apenas construídas pela prefeitura) e 40.344 nas particulares conveniadas. Em 2009, as diretas abrigavam 43.198 crianças e as indiretas e conveniadas, 114.829. No último ano de Celso Pitta, em 2000, as Emeis disponibilizavam 208 mil matrículas. Em 2004, final do governo Marta, 275.875. E, em 2009, 268.048. Estima-se que entre 35 mil e 45 mil crianças não estejam nas Emeis por falta de vagas.  

Trabalho esvaziado

Paulo Garcia
"Iniciativa privada" Paulo Garcia resiste ao projeto de concessão da região de Santa Ifigênia. Para ele, a mídia protege Kassab
O Orçamento da administração direta aprovado em 2004 ficou em R$ 14,3 bilhões de reais, dos quais foram empenhados R$ 13,2 bilhões. Em 2009, chegou a R$ 24,1 bilhões. Apesar do substancial aumento, um dos setores nevrálgicos da administração viu despencar seus valores na gestão Kassab: a Secretaria do Trabalho. Chamada anteriormente de Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento e Solidariedade, a pasta então comandada pelo economista Marcio Pochmann, hoje presidente do Ipea, foi um dos destaques da gestão Marta. Em 2004, teve empenhados R$ 190 milhões.  Para 2008, o Orçamento previa R$ 137 milhões para a secretaria, mas menos de R$ 40 milhões foram empenhados. Em 2009, destinava R$ 127 milhões, depois atualizados para R$ 130 milhões. Mas até 15 de dezembro apenas R$ 28 milhões haviam sido liquidados. E as políticas de geração de emprego e renda nas regiões mais vulneráveis à pobreza – responsáveis por sensíveis melhoras nos indicadores de violência em anos anteriores – parecem continuar fora dos planos da gestão Kassab. No Orçamento 2010, a previsão para a Secretaria do Trabalho é de somente R$ 103 milhões. A se repetir o “hábito” de usar menos de 25% do planejado, como nos dois últimos anos, a expectativa para os programas sociais é ainda mais desoladora do que o Orçamento permite prever. 



Eduardo Guimarães - ‘Choque de gestão’ tucano


Atualizado às 22h23m de 8 de fevereiro de 2010


Estação Sé do Metrô de São Paulo, dia 3 de fevereiro de 2010



Entenda por que a situação chegou a esse ponto:

Metrô da Cidade do México

A primeira linha do metrô da Cidade do México servia 16 estações e foi aberta ao público em 1969. Desde então, foram efetuadas várias expansões sucessivas à rede; atualmente é composta por 11 linhas, 175 estações e 177 km de linhas. A Cidade do México tem 8 milhões de habitantes (2005)

Metrô de Santiago do Chile

O metrô de Santiago foi inaugurado em 15 de setembro de 1975. Atualmente, possui uma rede composta de 85 estações,distribuídas por 4 linhas ao longo de 84,4 quilômetros. O metrô de Santiago do Chile é considerado o mais moderno da América Latina. Santiago tem 5,4 milhões de habitantes (2007)

Metrô de SãoPaulo

O Metrô de São Paulo foi inaugurado em 1974 e possui hoje 62,2 km de extensão em cinco linhas e 56 estações. São Paulo tem 10 milhões de habitantes (2006)

Ranking de extensão das linhas de metrô pelo mundo

posição    cidade              país           inauguração    km nº   estações
1              Londres        Reino  Unido        1863         408,00     268
2              New York    Estados Unidos    1904         368,00     468
3              Tokyo           Japão                  1927          304,50    290
4               Moscou        Russia                 1935          292,90    177
5               Seoul            Coreia do Sul      1974          286,90    348
6               Madrid          Espanha              1919          284,00    281
7               Shanghai        China                  1995          232,40    163
8               Paris              França                1900          213,00    380
9               C. Mexico     Mexico               1969          201,70    175
10             Beijing           China                  1969          198,95    123
11             Hong Kong    China                  1979          174,00     94
12             Washington    Estados Unidos   1976          171,20     90
13              Mumbai         India Ásia           1905          171,00     73
14              S. Francisco  Estados Unidos   1972          166,90     43
15              Chicago         Estados Unidos  1892           166,00   151
16              Berlim           Alemanha            1902           144,10   192
17              Osaka           Japão                  1933           137,80   133
18              Guangzhou    China                  1999            116,00     62
19              Singapura      Singapura            1987            113,20     71
20              Barcelona      Espanha              1924            106,60   147
21              Estocolmo     Suécia                 1950            105,70   104
22              S. Petersburg Russia                 1955            105,50     60
23              Hamburgo     Alemanha            1912            100,70     97
24              Busan            Coreia do Sul      1985              95,00     92
25              Munique       Alemanha              1971             92,50   100
26              Nagoya         Japão                   1957              89,00     93
27              Santiago        Chile                     1975             83,00     92
28              Atlanta           Estados Unidos    1979              79,20    39
29             Newcastle       Reino Unido         1980              76,50    61
30             Nova Delhi      India                    2002              76,50    68
31             Taipei              Taiwan                1996               75,80    73
32             Milão               Itália                    1964               74,60   88
33             Saint Louis       Estados Unidos    1993               73,40   37
34             Tianjin              China                   1974               71,98   37
35             Toronto           Canada                 1954               71,30   74
36              Viena              Austria                 1978                69,80   96
37              Montreal        Canada                 1966                69,20   73
38              Bucareste       Romania               1979                67,70   50
39             Cairo               Egito                    1987                65,50   55
40             Kuala Lumpur Malásia                 1996                64,00   60
41             São Paulo        Brasil                    1974                62,20   56

Observação 1 : São Paulo é a sexta cidade mais populosa do mundo
Observação 2 : O PSDB governa São Paulo há 15 anos. 




Dos leitores


Olá, Eduardo. Não precisa ir tão longe. O metro do Recife,  em Pernambuco, tem 71 Kms de extensão, sem a ampliação para copa do mundo de 2014.
Abraço.
Fernando Vaz | Recife PE | Pesquisador |

*

Eduardo, uma correção: os seus dados sobre o metrô de Santiago estão defasados. Já são 94 estações e 101 km de linhas (dados de dezembro 2009).
Lá, eles são um pouco mais rápidos do que os nossos queridos administradores tucanos.
| Mario Siqueira | São Paulo SP | engenheiro aposentado |

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Altamiro Borges - Enchentes: “omissão criminosa” de Serra


As enchentes que castigam São Paulo desde dezembro passado não são culpa exclusiva da mãe-natureza, como insiste em alardear a mídia demo-tucana. Bem diferente da postura adotada na gestão de Marta Suplicy, quando os âncoras e comentaristas da televisão crucificaram a prefeita petista, agora a mídia tenta limpar a barra dos responsáveis – culpa Deus e o povo. A TV Globo, sob o comando do “senhor das trevas” Ali Kamel, amiguinho de José Serra, é a mais tendenciosa na cobertura. O governador nem sequer é citado, parece que submergiu nas águas lamacentas.
E isto quando os estragos causados não têm qualquer comparação na história recente do estado. Até o final de janeiro, cerca de 70 pessoas já haviam morrido em decorrência dos desabamentos e afogamentos; 132 cidades paulistas tinham sido atingidas por inundações e desmoronamentos; bairros da capital e 26 municípios do interior estavam alagados, com a população vegetando em lonas e barracos, sem comida e água para beber. Diante do caos, o prefeito demo Kassab culpou os pobres; o governador tucano Serra sumiu; e a mídia demo-tucana faz de tudo para blindá-los.
Recursos desviados para a publicidade
Mas o povo não é bobo e a verdade vai aparecendo aos poucos – o que talvez explique a queda do presidenciável tucano nas últimas pesquisas de opinião pública. Várias entidades populares e técnicos sérios passaram a denunciar os verdadeiros culpados pelo drama vivido pelos paulistas. O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente (Sintaema) comprovou que a empresa responsável pelo setor, Sabesp, foi sucateada durante o longo reinado tucano no estado, com a demissão de milhares de funcionários e os cortes nos investimentos em infra-estrutura.
Com base em várias denúncias, a bancada do PT na Assembléia Legislativa entrou nesta semana com representação na Procuradoria Geral da Justiça para que sejam apuradas “as suspeitas de ilegalidade, inconstitucionalidade e improbidade na gestão de José Serra, que reduziu os recursos para a prevenção e combate às enchentes”. O partido responsabiliza o governador por “má gestão e omissão criminosa” e denúncia que os recursos para a prevenção das enchentes estão sendo remanejados e “têm sido destinados à publicidade do seu governo, visando à eleição de 2010”.
Cortes nos gastos em infra-estrutura
As provas exibidas pela bancada petista são irrefutáveis. De acordo com dados do Orçamento do Estado, em 2010 houve redução de 20% nas operações de combate a enchentes. Em 2009, foram previstos R$ 252 milhões; já em 2010, estão estimados R$ 200 milhões – uma queda de R$ 51,5 milhões. “Os números revelam que será cortado quase o dobro do valor dos atuais contratos para desassoreamento da calha do Rio Tietê, que somam R$ 27,2 milhões – se com os valores atuais o resultado é o visto, imagine-se com um corte que é o dobro dos valores atuais”, alerta a bancada.
O orçamento estadual também prevê menos investimentos em serviços e obras complementares da Bacia do Alto Tietê. O corte proposto para 2010 é de 61%. Já no Departamento de Água e Energia Elétrica, órgão do governo responsável pelas obras da calha do Tietê, foi previsto um corte de R$ 20,3 milhões. “Essa redução se dá especialmente nas despesas correntes, onde estão as ações de desassoreamento da calha, que atingiram o valor de R$ 30,8 milhões e o impacto de R$ 42 milhões a menos nos investimentos”, descreve o texto da representação.
“Má gestão e imoralidade pública”
A Procuradoria recebeu tabelas comparativas entre os gastos no combate às enchentes e os gastos em publicidade. Extraídas do Sistema de Gerenciamento de Execução Orçamentária (Sigeo), elas revelam que, entre 2006 e 2009, José Serra deixou de contratar o desassoreamento e de destinar recursos adequados ao combate às inundações. “Havia uma previsibilidade e, então, temos uma omissão culposa, além da má gestão e da improbidade face à imoralidade do desvio de finalidade que a alocação dos recursos representa”, critica o deputado Ruy Falcão, líder da bancada.
Os estragos causados pelas enchentes em São Paulo, além de confirmarem o total menosprezo do governador José Serra com os dramas da população, corroboram a tese de que existe uma relação promíscua entre o grão-tucano e a mídia golpista. Como insiste o jornalista Luiz Carlos Azenha, no vigilante blog “Vi o mundo”, a imprensa evita desnudar as verdadeiras causas desta tragédia paulista. Ela inocenta o presidenciável tucano e prefere culpar Deus e os pobres, fazendo vários malabarismos jornalísticos e estatísticos para justificar o injustificável.
Mídia não toca na promessa tucana
O atento blogueiro observa que “nos últimos dias, a Folha e outros órgãos da mídia tem dançado em torno de um recorde irrelevante: se as chuvas desde janeiro em São Paulo serão ou não as maiores dos registros históricos. Minha pergunta é: e daí? Para quem é vitima das enchentes ou para quem dirige pelas marginais do Tietê e de Pinheiros isso é absolutamente irrelevante”. Para ele, o bom jornalismo recomendaria averiguar porque a principal promessa eleitoral dos tucanos, a do fim das enchentes na calha do rio Tietê, afundou de vez no cotidiano lamaçal paulista.
“É impossível dançar em torno dessa realidade: o gerenciamento das represas do Alto Tietê e a capacidade de vazão do rio são essenciais não apenas para a temporada de chuvas de 2010, mas de 2011, 2012, 2013…, independentemente de quem seja o governador. Sabemos que Geraldo Alckmin concluiu uma obra bilionária cuja promessa central era acabar com as enchentes em São Paulo… No entanto, quatro anos depois da conclusão desta obra o rio Tietê já transbordou quatro vezes: uma durante o próprio governo de Alckmin e três recentemente, no governo Serra. Foram milhões em prejuízos para a cidade, tanto em danos diretos como em danos indiretos”.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Mais do Mesmo

















Não fume! Nem aqui dentro nem lá fora!



Metrô - o melhor do tucanato!


Paulista é chique no urtimo!








A doutrina zumbi





A “acusação” que José Serra e seus jornais, tevês, revistas, rádios e portais de internet estão difundindo contra a versão preliminar do programa de governo do PT a ser apresentado na próxima campanha eleitoral à Presidência da República deixa ver como o mundo mudou nos últimos anos, mas, sobretudo, do ano passado para cá.

Segundo nota do jornal do PSDB “O Estado de São Paulo” publicada na internet, “No documento intitulado ‘A grande transformação’ – a ser apresentado no 4.º Congresso do PT, de 18 a 20 deste mês, em Brasília – , o partido prega maior presença do Estado na economia e o fortalecimento das estatais e dos bancos públicos para fornecimento de crédito ao setor produtivo”.

Para que se possa dimensionar a amplitude do claro processo de mudança de paradigmas políticos e ideológicos que o mundo vive, basta lembrar o que aconteceu durante a campanha eleitoral de 2002, quando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva teve que apresentar uma “carta ao povo brasileiro”, documento que continha virtual profissão de fé no neoliberalismo.

Seria impensável, àquela época, um partido ou um candidato pregarem “maior presença do Estado na economia”. Por mera suspeita do “Mercado” de que Lula pretenderia colocar o país nos trilhos do “comunismo”, houve fuga de capitais estrangeiros, o dólar foi a quatro reais e o risco-país subiu a mais de 2.400 pontos, sendo que hoje não chega dez por cento disso.

Não é de estranhar, porém, que o partido da pré-candidata Dilma Rousseff ouse tanto agora. Devido ao cataclismo econômico que eclodiu no fim de 2008, e devido ao sucesso do governo Lula na economia em meio a essa crise descomunal, agora todo mundo quer ser de esquerda.

O documento petista recém-divulgado serviu para desmascarar os porta-vozes do governador José Serra na mídia, que têm tentado vender a teoria maluca de que o tucano também seria “de esquerda”. Eles estão tendo um surto por conta desse documento, bem como a oposição tucano-pefelista.

Abaixo, algumas manifestações da direita sobre o pré-programa de governo do PT:

"O velho PT está tomando fôlego, está se rearticulando com todos os seus ranços e propostas"
João Almeida ( PSDB - BA)

"É um programa jurássico, que compromete o Brasil para o futuro. O que a Dilma propõe no Brasil nem na China existe"
Paulo Bornhausen (PSDB-SC)

Do ponto de vista eleitoral, esse programa do PT se parece com o da Venezuela"
 Arthur Virgílio (PSDB-AM).

"Onde a presença do Estado é muito forte, o capital se inibe. O PT está na contramão do mundo desenvolvido"
 José Agripino Maia (DEM-RN).

A direita mordeu a isca. Nos últimos tempos, o PSDB passou a alegar que ele próprio e Serra seriam mais de esquerda do que Lula, Dilma e o PT. De fato, atualmente ser de esquerda virou in, sobretudo depois que o neoliberalismo mostrou quanto mal é capaz de causar e depois que os países-sede dessa doutrina tiveram que chamar o Estado para consertar as burradas do mercado.

Finalmente, o Terceiro Mundo – onde um Estado forte é questão de sobrevivência para centenas de milhões de seres humanos – poderá adotar nova doutrina econômica, uma doutrina humanista, oposta à da direita, ao neoliberalismo, que aprofundou a miséria, a desigualdade e a injustiça sobretudo nos países mais pobres.

O PT demonstra que pretende marcar bem as diferenças entre a sua ideologia e a do PSDB, revelando assim à sociedade que a doutrina econômica da direita não passa de uma doutrina-zumbi, que, apesar de morta, recusa-se a ser enterrada, teimando em vagar por jornais decrépitos em busca de que a ressuscitem.

40 horas: vamos ver quem é intransigente


Alguns dirigentes sindicais fizeram chegar ao presidente da Câmara, Deputado Michel Temer,  uma proposta de  que os trabalhadores estariam dispostos a aceitar uma redução progressiva, em até quatro anos, da jornada de trabalho, de 44 para quarenta horas semanais. Ou seja, numa semana de cinco dias, a cada ano, a jornada se reduziria em 12 minutos diários.

Doze minutos por dia, vejam bem.
Acho que ningúem agora pode alegar que isso faliria as empresas e inviabilizaria os negócios, não é?


Michel Temer ficou de consultar os representantes do empresariado para ver se assim eles aceitam votar a emenda constitucional.

CARRARA: AS MIGALHAS DE SERRA E KASSAB






Fome em SP: a gestão Auschwitz de Serra-Kassab

por Mauro Carrarano blog do grupo Beatrice

Prefeitura paulistana paga R$ 0,76 por refeição para órfãos e abandonados
A política de racionalização de recursos na gestão Serra-Kassab faria inveja a Heinrich Himmler, bem como aos administradores diretos de Auschwitz: Rudolf Höss, Artur Leibehenschel e Richard Baer.
 
A ideia é sustentar a massa humana com migalhas. A ordem é gastar o mínimo com comida nos reformatórios e albergarias destinados aos excluídos.
 
A incompetência e a insensibilidade atingiram tal ponto em São Paulo que até os subprodutos da mídia monopolista são obrigados a noticiar os abusos e as indecências da dupla dinâmica.
 
Reportagem do "Agora", de 04/02/2010, assinada por Adriana Ferraz, mostra que Kassab reduz merenda de crianças carentes acolhidas por entidades sociais.
 
A cinco refeições do dia deverão ser adquiridas com mínimos R$ 3,80 na mais rica cidade da América Latina.
 
Segundo o capataz Gilberto Kassab, essa é a quantia necessária para se garantir a sobrevivência de uma criança ou de um adolescente, órfão ou em situação de risco, nos abrigos do município.
 
O jornal informa que desde primeiro de Janeiro a prefeitura deixou de entregar a merenda nas unidades e anunciou que cada uma terá de se virar com os míseros R$ 2.289 mensais. Cada uma atende, em média, a 20 menores.
 
A mudança foi imposta pela Secretaria Municipal da Assistência Social, responsável pela gestão dos convênios.
 
Até dezembro de 2009, as entidades recebiam da Prefeitura um lote mensal de alimentos, que incluía arroz, feijão, carne, frutas e verduras.
 
O abrigo Madre Mazzarelo, por exemplo, gastou em Janeiro R$ 5.900 em itens de alimentação, valor muito maior que o oferecido pelo alcaide.

Kassab: "crianças comem demais"
 
As creches também sofrem com a insensibilidade do gerente de Serra em São Paulo.
 
O dublê de SS no poder já tentou até mesmo cortar a quantidade de alimento oferecida em creches municipais.
 
Em Setembro de 2009, a Secretaria Municipal de Educação pediu aos pais de alunos que decidissem qual refeição sairia do cardápio: o café da manhã ou o jantar.
 
Na época, a prefeitura justificou a medida com outro disparate, a redução da carga horária de 12 para 10 horas.
 
Na época, os jornais, como o Agora, tiveram de noticiar a insensibilidade do prefeito. Para ele, as crianças simplesmente comiam demais...

A repercussão foi péssima e Kassab teve de voltar atrás.
 
Enquanto isso, não falta dinheiro para os caprichos tucanos, como a Calçada da Fama (lama), em Santa Cecília, cujas estrelas inaugurais foram destinadas a homenagear Geraldo Alckmin e o próprio José Serra.
 
Vale lembrar que Kassab corta radicalmente os valores destinados ao setor social justamente num momento de alta na arrecadação municipal.
 
A receita cresceu 3,5% em 2009.
 
Sugestão: que o Ministério Público faça Kassab e Serra sobreviverem com R$ 3,80 por dia. Caso suportem a provação, que se mantenha o valor. A Auschwitz paulistana aguarda o teste.