quinta-feira, 23 de abril de 2009

Kassab corta R$ 1 bilhão da educação

>
O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) deixou de investir, nos três primeiros meses do ano, quase R$ 1 bilhão em áreas essenciais, como educação, assistência social, habitação e transportes, segundo cálculo feito pela oposição com dados do SEO (Sistema de Execução Orçamentária). A comparação é relativa ao primeiro trimestre de 2008.

Em valores absolutos, a Secretaria Municipal da Educação é a mais prejudicada, com R$ 232 milhões a menos. Os prejuízos estão relacionados à construção de CEUs e unidades educacionais. Quando a conta é feita por percentual, a campeã é a Secretaria Municipal da Infraestrutura Urbana e Obras, que perdeu 33,8%.

Os valores já são sentidos no dia a dia. Serviços como recapeamento de ruas e conclusão de algumas obras --como a construção dos CEUs, por exemplo--, estão parados na cidade.

Para a bancada de oposição ao governo na Câmara, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) não pode culpar a crise econâmica, já que a prefeitura teria acumulado, nos cem primeiros dias da gestão, R$ 4 bilhões no caixa. No começo do ano, R$ 5,5 bilhões foram congelados.

Os vereadores do PT também criticam as prioridades escolhidas. Na comparação com o ano passado, a área de comunicação (publicidade) cresceu R$ 5 bilhões. Parte do aumento se deve à divulgação do plano de metas da prefeitura.

"Kassab voltou ao ritmo de serviço que sempre desempenhou, aumentando os gastos em propaganda e aplicações em bancos e frustando a população ao deixar de fazer obras", afirmaram, por meio de uma nota, os vereadores do PT.

O prefeito Gilberto Kassab não confirmou e nem desmentiu o número apresentado pelo PT, mas disse que a cidade apertou os cintos por recomendação do Presidente. "O Presidente da República [Lula], nesta semana, deu uma declaração muito dura em relação aos municípios, de que era necessário apertar os cintos.

A cidade de São Paulo dá exemplo, desde dezembro, em relação aos custos", afirmou Kassab.

Enquanto Kassab corta os gastos com educação, o cabide de emprego na prefeitura vai de vento em poupa. Roberto Freire continua morando em Recife, mas recebe jetons da Prefeitura de São Paulo.

O marido da cansada Ana Maria Braga, Marcelo Frisoni, perdeu a eleição para vereador, mas ganhou cargo comissionado de "coordenador".

Sem contar claro a Soninha que ganhou uma boquinha em uma Subprefeitura...
>
Fonte: Blog Amigos do Presidente Lula

Ministro acusa Mendes de destruir a credibilidade da Justiça

>

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa bateram boca em sessão plenária durante um julgamento nesta quarta-feira (22). O ministro Joaquim Barbosa acusou o presidente do STF de estar ''destruindo a credibilidade da Justiça brasileira''.

Durante uma discussão na sessão de hoje (22) do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Joaquim Barbosa criticou o presidente do STF, Gilmar Mendes, responsabilizando-o por supostamente contribuir para uma imagem negativa do Poder Judiciário perante a população.

O bate-boca ficou mais ríspido quando Mendes reagiu à discordância de Barbosa com o encaminhamento dado a uma matéria. Os ministros analisavam recursos contra duas leis julgadas inconstitucionais pelo STF. Uma, tratava da criação de um sistema de seguridade do estado do Paraná, e outra, da permanência de processos de autoridades no tribunal, ainda que os réus perdessem cargos políticos.

“Vossa excelência não tem condições de dar lição a ninguém”, afirmou Mendes.

Barbosa respondeu: “Vossa excelência me respeite, vossa excelência não tem condição alguma. Vossa excelência está destruindo a Justiça desse país e vem agora dar lição de moral em mim? Saia à rua, ministro Gilmar. Saia à rua, faça o que eu faço”.

A discussão entre os ministros foi gravada pela TV Justiça e está disponível na internet.

O ministro Ayres Britto tentou colocar panos quentes na discussão, ao lembrar que já havia pedido vista da matéria. Mas não conseguiu.

Quando Mendes respondeu  a Barbosa, dizendo que já estava na rua, ouviu do colega o seguinte: “Vossa excelência [Gilmar Mendes] não está na rua não, vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite”.

 

Após novas trocas de acusações, o Ministro Marco Aurélio sugeriu que a sessão fosse encerrada e foi atendido por Mendes. Em seguida, o presidente do STF e alguns ministros iniciaram uma reunião fechada em seu gabinete.

Reputação ruim

Não é a primeira vez que Gilmar Mendes é confrontado por colegas do juidiciário.

No início deste mês, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, disse que o Ministério Público, órgão do qual é chefe, exerce muito bem a atividade de controlar eventuais excessos cometidos por policiais. A afirmação foi em resposta a uma provocação feita um dia antes pelo presidente do STF, que chamou de ''lítero-poético-recreativo'' o controle externo exercido pelo Ministério Público.

''Quem avalia o Ministério Público é a sociedade e ela avalia bem, de modo que ironia, retórica em nada desqualifica o trabalho do Ministério Público'',  disse o procurador-geral.

Antonio Fernando aproveitou para provocar Gilmar, dizendo que o Judiciário deve cumprir apenas as tarefas que lhe são atribuídas: ''Ao Judiciário deve ficar reservada a questão de julgar com imparcialidade. Se o Judiciário desempenhar bem a sua função, já presta à sociedade um relevante serviço'', disse.

Em 2002, quando foi indicado para o STF pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, Mendes já era apontado como prejudicial à imagem da justiça brasileira.

Naquele ano, o renomado jurista Dalmo Dallari, advogado e professor de Direito na Universidade de São Paulo (USP), publicou um artigo na Folha de São Paulo criticando duramente a indicação de Gilmar Mendes.

''Degradação do Judiciário''

Sob o título de ''Degradação do Judiciário'', Dallari registrou em seu artigo: ''(...) O presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica. Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional''.

''O nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país'', disse Dallari na ocasião.

Em novembro de 2008, a revista Carta Capital -- incomodada com o evidente protecionismo que Mendes estendeu a Daniel Dantas ao conceder dois habeas corpus para livrar o banqueiro da cadeia -- publicou um perfil nada lisongeiro do presidente do STF. A reportagem resgata as relações da família de Mendes com as várias esferas de poder. A revista de Mino Carta revela como o ministro atua politicamente para reforçar o naco de poder do irmão, prefeito de Diamantino (MT), cidade da família Mendes. A reportagem mostra um homem muito diferente da face pública. 

Escreve Leandro Fortes: “Em Diamantino, a 208 quilômetros de Cuiabá, em Mato Grosso, o ministro é a parte mais visível de uma oligarquia nascida à sombra da ditadura militar (1964-1985), mas derrotada, nas eleições passadas, depois de mais de duas décadas de dominação política”.

A reportagem aponta que o irmão de Gilmar, o atual prefeito Francisco Mendes Júnior, vinha conseguindo se manter no cargo graças à influência política do presidente do STF. “Nas campanhas de 2000 e 2004, Gilmar Mendes, primeiro como advogado-geral da União do governo Fernando Henrique Cardoso e, depois, como ministro do STF, atuou ostensivamente para eleger o irmão. Para tal, levou a Diamantino ministros para inaugurar obras e lançar programas, além de circular pelos bairros da cidade, cercado de seguranças, a pedir votos para o irmão-candidato e, eventualmente, bater boca com a oposição''.

Conhecendo este perfil, não surpreende que o ministro Joaquim Barbosa tenha alertado Gilmar Mendes de que ele não estava falando com seus ''capangas do Mato Grosso''.
>
Fonte: Vermelho

No esforço anticrise, governo não para

>

Na continuidade da ofensiva para evitar a recessão, sustentar o crescimento em índices bem melhores do que os alardeados pelos catastrofistas e manter os investimentos e o consumo, o governo, conforme falávamos semana passada, liberou R$ 4 bilhões para os Estados que enfrentam queda de arrecadação provocada pela crise financeira internacional e estão recebendo menos do Fundo de Participação dos Estados (FPE). 

O dinheiro virá do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) a uma taxa de juros de 9,25%, bem inferior, por exemplo, à paga pela microempresa ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"O governo entendeu que essa é a fonte [de recursos] mais adequada para essas operações. [Os financiamentos] não comprometem de maneira alguma a meta [de aperto fiscal]", explicou o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Cléber Oliveira.

O secretário adiantou que o acesso aos recursos está limitado aos Estados que cumprirem os limites de endividamento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), entre estes a relação entre dívida, receita e gastos com pessoal.

Exigência: aplicação em saneamento e habitação

O financiamento terá um ano de carência e as operações fechadas no fim de 2009, só começarão a ser pagas em 2011. O governo estabeleceu, ainda, a exigência de que o dinheiro seja usado exclusivamente para investimentos ou refinanciamento de dívidas.

Também poderá ser aplicado em obras de saneamento e habitação. O estabelecimento dessa exigência aponta outro aspecto que evidencia o acerto da medida anticrise: ela vai gerar mais emprego,  já que a construção civil é entre os setores econômicos e sociais do país o que mais utiliza mão de obra.  

Levantamento preliminar do governo aponta que a Bahia será o Estado mais beneficiado, com limite de até R$ 376 milhões, enquanto o Distrito Federal (Brasília), será o menor, recebendo R$ 27,6 milhões.

Os cinco Estados que mais receberão recursos (BA, CE, MA, PE e PA), ficarão com  R$ 1,478 bilhão (36,9% do total). O critério é o de repasse do FPE, o que justifica essas transferências mais altas a Estados de regiões mais pobres.

>

Fonte> Blog do Zé Dirceu

Lula está construindo um gigante regional único, diz 'Newsweek'

>

>
O Brasil vem se transformando na última década em uma potência regional única, ao se tornar uma sólida democracia de livre mercado, uma rara ilha de estabilidade em uma região conturbada e governada pelo Estado de direito ao invés dos caprichos dos autocratas. A afirmação é feita em artigo publicado na última edição internacional da revista americana Newsweek.

"Contando com a cobertura da proteção de segurança americana, e um hemisfério sem nenhum inimigo crível, o Brasil tem ficado livre para utilizar sua vasta vantagem econômica de seu tamanho dentro da América do Sul para auxiliar, influenciar ou cooptar vizinhos, ao mesmo tempo conseguindo conter seu rival regional problemático, a Venezuela", afirma o artigo. 


Segundo a revista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "preside uma superpotência astuta como nenhum outro gigante emergente".

O artigo foi publicado menos de um mês após Lula ter aparecido na capa da Newsweek, com uma entrevista exclusiva à revista após seu encontro com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca.

Poderio militar
A Newsweekobserva em seu último artigo que enquanto outros países emergentes e mesmo os Estados Unidos contam com seu poderio militar como forma de afirmação, o Brasil "expressou suas ambições internacionais sem agitar um sabre".

A revista observa que quando há algum conflito na região, o Brasil envia "diplomatas e advogados para as zonas quentes ao invés de flotilhas ou tanques".

O artigo também comenta que o Brasil tem se tornado uma voz mais assertiva para os países emergentes nos temas internacionais, contestando por exemplo os subsídios agrícolas dos países ricos.

"Nenhum governo foi tão determinado como o de Lula em estender o alcance internacional do Brasil. Apesar de ter começado sua carreira política na esquerda, Lula surpreendeu os investidores nacionais e estrangeiros ao preservar as políticas amigáveis ao mercado de Fernando Henrique Cardoso internamente, para a frustração dos militantes de seu Partido dos Trabalhadores. Para a esquerda, ele ofereceu uma política externa vitaminada", diz a Newsweek.

Influência americana
A revista diz que os esforços brasileiros advêm da estratégia "não-declarada" de se contrapor à influência dos Estados Unidos e de dissipar as expectativas de que exerça um papel de representante de Washington", mas que nem por isso o país embarcou na "revolução bolivariana".

"Pelo contrário, Lula tem controlado a região ao cooptar os vizinhos com comércio, transformando todo o continente em um mercado cativo para os bens brasileiros", diz o artigo. "No fim das contas, o poder do Brasil vem não de armas, mas de seu imenso estoque de recursos, incluindo petróleo e gás, metais, soja e carne."

A revista afirma que isso também tem servido para conter a Venezuela e que a provável aprovação próxima da entrada do país de Hugo Chávez ao Mercosul não é "um endosso aos desejos imperiais de Chávez, mas uma forma de contê-lo por meio das obrigações do bloco comercial, como o respeito à democracia e a proteção à propriedade".

"Isso pode ser política de risco. Mas as apostas estão nos brasileiros. Sem um manual para se tornar uma potência global, o Brasil de Lula parece estar escrevendo o seu próprio manual", conclui a Newsweek. 
>
Fonte: BBC Brasil

domingo, 19 de abril de 2009

Governo “tungano” privatiza no metrô. São Paulo, trabalhando para você

>

São Paulo, trabalhando para você

O Conversa Afiada recebeu este e-mail de amigo navegante que não pode se identificar:

Caro PHA, sou metroviário e como tal vivo a angústia de trabalhar sob este desgoverno tucano. Na lógica privatista e terceirizadora dos tunganos, agora em 22/04 haverá audiência pública no Instituto de Engenharia (Av. Dante Pazzanese, 120, Vila Mariana) para entrega das bilheterias do Metrô, CPTM, EMTU e Sptrans à iniciativa privada. É engraçado que nos dois últimos anos todas bilheterias do Metrô foram blindadas. Antes, tínhamos que conviver com constantes assaltos e nada era feito. Agora, tudo é arrumado para ser entregue aos “amigos” da iniciativa privada. Milhares de empregos estão em risco. Acho estranho, ainda, que a Sptrans esteja na jogada, já que ela é responsabilidade do governo municipal. Solicito que nada que possa me identificar seja publicado, porque, como disse o engenheiro acima, o Zé Pedágio é vingativo e tem um cão de guarda muito bravo (que adora demitir funcionários arbitrariamente), que é o secretário dos transportes metropolitanos, sr. Luiz Carlos Portella.

De Serra centraliza e encarece obras.
Serra, o último autoritário, 17/04/2009, 12:10
>
Fonte: Conversa Afiada - Paulo Henrique Amorim

Cimento, cocaína e um colunista ensandecido

>

>

Diogo Mainardi adora provocar polêmica. Nem sempre é feliz: algumas vezes consegue criar enorme barulho, em outras passa apenas despercebido. Ironia e sarcasmo são algumas das armas que o colunista da revista Veja sempre utiliza para tentar obter o efeito desejado. Quem acompanha os escritos de Mainardi conhece bem suas
posições políticas, tão explicitamente alardeadas e que podem ser sintetizadas na confissão do próprio colunista, em um texto publicado em agosto de 2005: "Quero derrubar Lula". É simples assim, não tem jeito de não entender. 

Na edição corrente de Veja (nº 2108, com data de capa de 15/04/2009), Mainardi volta a citar o presidente da República no título de sua coluna, reproduzida ao final deste artigo. "O Lula shakespeariano" poderia ser apenas um texto cômico, uma piada meio sem graça, dessas que nem todo mundo entende. Talvez a melhor coisa seja não levar a sério o que diz o colunista, como se faz com as brincadeiras às vezes bem agressivas dos palhaços de circo. Em certos casos, porém, vale a pena entrar no jogo de Mainardi - por trás das ironias e das palavras bem escolhidas está uma ideologia consumida pelos milhões de brasileiros que assinam ou compram Veja nas bancas.

No texto em questão, a ironia de Mainardi é dirigida ao corte do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em alguns produtos, em especial o cimento, que o jornalista considerou pequeno. Tal ironia pode ser compreendida na comparação feita entre a medida tomada por Lula em relação ao IPI e o esforço de Barack Obama para recuperar a economia dos Estados Unidos - segundo Diogo Mainardi, o presidente norte-americano "está aumentando o déficit público, num prazo de dez anos, em cerca de 6 500 000 000 000 de dólares (com todos os zeros)", ao passo que Lula teria conseguido reduzir "o custo do saco de 25 quilos de cimento em cerca de 40 centavos (com todos os zeros)".

Até aqui, nenhum problema, certos analistas econômicos meio chinfrins que se lêem por aí devem até concordar com a mui justa comparação de Mainardi. IPI brasileiro e déficit público americano, tudo a ver. Mas vamos em frente.

O que vem na sequência de tão estapafúrdia comparação é que realmente choca no texto de Mainardi: "No Brasil, ao contrário, o corte do IPI do cimento ajudará, indiretamente, uma indústria próspera: a do comércio de drogas. Em primeiro lugar, estimulando o crescimento das favelas. Encasteladas nos morros, elas correspondem, para os traficantes, às fortalezas medievais: Comando Vermelho e William Shakespeare. Em segundo lugar, subsidiando a cocaína. Algumas semanas atrás, o Globo mostrou que os traficantes da Rocinha (o rei do tráfico - o Henrique IV da Rocinha - é conhecido como Nem) misturam cimento à cocaína. O que fez o governo? Zerou o IPI da cocaína por três meses, garantindo uma economia de 40 centavos a cada 25 quilos. Isso sim é uma medida anticíclica", escreveu o colunista de Veja.

Favelado é traficante

É muito raro ver tanto preconceito junto em um só parágrafo. Na verdade, é realmente incrível que tamanha sandice tenha sido publicada. Sim, trata-se de um texto humorístico e no humor vale qualquer coisa, mas o que vai acima não chega a ter muita graça, lembra as piores e mais infames piadas racistas. Em menos de dez linhas, Mainardi reforça as idéias de que quem mora na favela é traficante, de que é preciso conter o crescimento das favelas e o de que o problema do tráfico de droga está no traficante, e não na sociedade. Tudo isto para não falar da risível acusação ao governo Lula, qual seja a de subsidiar o tráfico por meio da redução de impostos para... cimento. Aí realmente não dá nem para levar a sério, é apenas uma piada nonsense.

Analisando um pouco mais a fundo, estão presentes no texto de Mainardi alguns dos chavões que a classe média brasileira mais gosta, porque jogam no colo do governo problemas sociais bastante complexos e de difícil solução - a questão da droga e da favelização dos grandes centros urbanos. Diogo Mainardi reforça sutilmente a idéia de que a solução é "jogar uma bomba nos morros e acabar com os favelados", tão presente no discurso nem sempre tão envergonhado de certa classe média ultradireitista. Também com a mesma "sutileza" o colunista procura vincular o presidente Lula aos dois pólos negativos de seu texto - drogas e favelas -, apresentando-o como um aliado dos traficantes e dos pobres habitantes dos morros. Assim, fecha-se o círculo: ideal mesmo seria "jogar uma bomba nos morros com o Lula e toda a sua corja lá dentro" - mata-se os traficantes e de quebra devolve-se o país ao governo dos homens bons.

Mainardi gosta de fazer graça e há quem ria das suas brincadeiras, mesmo sem entender direito o que conduz o tipo de humor que o colunista é (bem) pago para fazer. A liberdade de expressão evidentemente comporta este tipo de texto, como suportava, em priscas eras, os editoriais ("Basta!" e "Fora!", no Correio da Manhã) que pediam exatamente o que Diogo Mainardi já pediu em 2005: a derrubada de um governo – constitucionalmente eleito, diga-se de passagem. Se é para rir, melhor pelo menos entender a piada. 

>

Fonte: Correio da Cidadania

sábado, 18 de abril de 2009

Legalizando os gastos a posteriori

>

>

Do Estadão

PSDB busca aval a publicidade da gestão Serra fora de SP

Emenda de deputada tucana altera regras e permite ampliar propaganda estadual para todo o País

Clarissa Oliveira e Julia Duailibi

Uma proposta de emenda à Constituição estadual que altera as regras para gastos do governo com publicidade voltou a ser discutida esta semana na Assembleia Legislativa paulista, mais de um ano depois de ter ido parar na gaveta. O projeto, apresentado inicialmente em 2008 pela deputada Célia Leão (PSDB), poderá dar ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o direito de realizar propaganda do Estado em todo o País, a título de promoção das atrações turísticas paulistas.

O assunto, levantado na quarta-feira pela deputada em reunião do colégio de líderes da Assembleia, despertou reações na bancada petista antes mesmo de entrar na pauta de votação. Apesar de afirmarem ser favoráveis à propaganda em outros Estados para atrair turistas, deputados do PT dizem ver viés eleitoral na iniciativa da parlamentar, a um ano e meio das eleições de 2010.

Atualmente, a Constituição do Estado veda qualquer tipo de propaganda do governo fora do território paulista - a única exceção se aplica a “empresas que enfrentam concorrência de mercado”. Enquadram-se nesse caso a Sabesp e, até então, a Nossa Caixa, vendida no ano passado ao Banco do Brasil. Ao propor a alteração do artigo 115 da Carta paulista, Célia Leão pretende incluir na lista de exceções a “divulgação destinada a promover o turismo estadual”.

Comentário

Daí a história do Gesner de Oliveira, presidente da Sabesp e operador do PSDB, de que a Sabesp estava entrando no mercado de consultorias de saneamento em outros estados. Como se consultoria de saneamento - que tem como cliente potencial apenas as empresas de saneamento locais (na maioria dos casos, apenas uma estadual) - demandasse campanha em rede nacional.

>

Fonte: Nassif Online