sábado, 6 de março de 2010

No Metrô, Serra inaugura era do neoliberalismo total






Renato Godoy de Toledo
da Redação

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A linha 4 Amarela do Metrô paulistano deve ser a principal vitrine eleitoral do governador de São Paulo e pré-candidato à presidência José Serra (PSDB). A obra está prevista para ser inaugurada até o fim de março, dias antes do limite para o tucano se licenciar do cargo.


Essa nova rota inaugura um novo modelo de gestão na Companhia do Metropolitano de São Paulo. Um consórcio controlado pela CCR, chamado Via Quatro, será responsável pela administração da linha, assim como pela fiscalização. Essa holding é composta por empreiteiras como Camargo Correa e Andrade Gutierrez e a principal acionista é a própria Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O grupo já explora pedágios em estradas paulistas e federais, como a Via Dutra.

A principal premissa no contrato de Parceria Público-Privada (PPP) firmado entre governo estadual e empresa parece ser a lucratividade, baseada no baixo custo com a gestão. A garantia da taxa de lucro aos concessionários está inclusive em contrato. Se o valor acertado não for atingido com a cobrança de tarifas, o Estado tem que aportar o recurso restante.

A execução da obra foi marcada pelo acidente que vitimou 7 pessoas em janeiro de 2007. A CCR garante que a linha 4 será uma das mais modernas e seguras do mundo. Mas para o sindicato dos metroviários, a busca pelo lucro e a redução de custos planejados pelo governo e pela iniciativa privada podem vir em detrimento da segurança dos trabalhadores e dos usuários da linha.

Primazia do privado
O início da operação da linha 4 pode dar fôlego a novas licitações similares, num processo que culminaria na privatização completa do Metrô. Para justificar a preferência pelo modelo privado, a nova linha deve servir como um modelo de gestão, segundo críticos do governo paulista.

“A ideia da privatização das linhas é prejudicial, pois o Metrô é um sistema muito bem operado pelo setor público, com profissionais capacitados. Adotaram uma ideia de que as políticas públicas têm que resultar em bons negócios para o setor privado. Nesse sentido, como a linha 4 representa uma lucratividade importante, indo do Morumbi ao Centro, a passaram para a iniciativa privada. Isso é o inicio da privatização. Vão criar dois metrôs, um público e outro privado”, afirma o deputado estadual Simão Pedro (PT-SP). Ainda em 2006, após acidentes com operários, o parlamentar pediu ao Ministério Público uma investigação sobre as obras da linha por ameaças à “ordem urbanística” e por colocarem em “risco a segurança, integridade física, saúde e vida” dos moradores da região.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Metroviários, Manuel Xavier, o governo pode dar um privilégio logístico ao setor privado, deslocando recursos humanos para as novas estações. “Eles já terão tratamento privilegiado relacionado à tarifa. Eles não receberão o valor da tarifa, receberão um valor estipulado, que ainda não sabemos, mas que deve melhorar ano a ano, conforme previsto no contrato. Isso causa um desequilíbrio, uma distorção do tratamento entre o setor público e o privado”, contesta o sindicalista.

Trem fantasma”
O primeiro posto dispensado nesse novo Metrô será o de operador de trem. A CCR se gaba de ser a primeira a implementar, em nível mundial, o sistema driverless (sem motorista, em tradução livre). Os trens seriam comandados pelo Centro de Controle Operacional. Segundo a empresa, o sistema coibiria o excesso de velocidade.

Para Xavier, o sistema ainda é uma incógnita, já que não há qualquer experiência semelhante no mundo. “São cerca de um milhão de passageiros que vão ser transportados, sem nenhum condutor”, diz.

Outra preocupação advém do termo contratual que exige apenas um funcionário da ViaQuatro por estação da nova linha. “Não sabemos se os usuários serão bem atendidos ou se sentirão perdidos [pela falta de funcionários]. Se a exigência é de um funcionário por estação, este pode estar dentro de uma sala, isolado, cheio de monitores. Não sabemos se o consórcio será capaz de atender às dúvidas dos usuários”, aponta Xavier.

Além do contrato de concessão ao setor privado na operação da linha, o governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo levam em frente um projeto de terceirizar a arrecadação das tarifas de trem, metrô e ônibus na Grande São Paulo. O processo de licitação já foi feito, mas um grupo que foi derrotado conseguiu barrar a decisão na Justiça, alegando favorecimento governamental aos vencedores.

“Tínhamos conseguido barrar, anteriormente, essa terceirização junto ao tribunal de contas. Agora, foi o grupo empresarial que barrou, mas isso não significa que o projeto não será levado a cabo”, analisa Simão Pedro.

Com a concessão a um grupo privado, o Estado perde o protagonismo na arrecadação das tarifas e na fiscalização. A tendência é que funcionários do Metrô que hoje exercem essa função sejam deslocados ou demitidos. “A fiscalização é um grande problema. Acho que o governo não tem controle sobre o que ocorre na arrecadação das rodovias. A Artesp (Agência Reguladora do Transporte do Estado) é um grande escritório de advocacia das empreiteiras”, dispara o deputado. (RGT)




Chega de enganação na educação de SP





A greve é justa!


O professor sempre leva a culpa
 pela incompetência tucana

Progressão Continuada = Futura População Manipulada

Chega de Marketing Político 
nossas crianças merecem educação!!!






Eduardo Guimarães - Plano Real foi só mais um




Em um ano eleitoral que já acende as suas turbinas, pouco pode ser mais útil do que exercitar a memória, artigo tão escasso neste país. Este texto, pois, é um convite ao exercício dessa parte tão “enferrujada” da mente nacional, pois esta precisa ser reativada para que não venhamos a cair em contos do vigário como esse que atribui o “fim da inflação” ao governo FHC.

Quando Fernando Henrique Cardoso se elegeu em 1994, a economia brasileira destoava da maior parte da América Latina. Argentina, Bolívia, México, Nicarágua e Peru, por exemplo, tinham vivido tantos surtos inflacionários, durante a década de1980 e início dos anos 1990, quanto o Brasil, mas já haviam implantado os seus planos reais.

À luz da experiência de programas de estabilização semelhantes adotados no México, por exemplo, a partir de 1988, ou na Argentina desde 1991, o Brasil adotou políticas públicas que levariam ao surto de bem estar social fundado, maiormente, na valorização artificial da moeda tão denunciada pela então oposição petista, que desde o limiar daquela experiência econômica prognosticava os problemas que de fato sobreviriam.

Fernando Henrique Cardoso foi convidado por Itamar Franco para ser ministro da Fazenda em maio de 1993. A idéia era nomear alguém para dar uma cara política a um plano que vinha de fora e que revelaria grande eficácia no combate à inflação com o alinhamento da política econômica ao modelo de estabilização que vinha sendo aplicado em outros países da América Latina, particularmente no México e na Argentina.

Como ocorreu nos tantos países supra enumerados, a economia brasileira, agora, veria o tão sonhado “fim” da inflação. Todavia, esse feito se faria acompanhar por elevados déficits no comércio exterior por conta do dólar valorizado por força de lei, o que nos geraria uma bomba de efeito retardado.

Outro efeito deletério da adoção por tupiniquins do programa econômico de Margareth Tatcher e Ronald Reagan foi a total dependência do volátil capital externo de curto prazo em que mergulhamos. Precisávamos dele para dar sustentação ao câmbio congelado por decreto. À diferença de hoje, quando o capital transnacional vem ao Brasil para investimentos de curto, médio e longo prazos, naquele tempo vinha somente para especular no mercado financeiro, nos overs nights da vida, e desaparecia assim que o país precisava dele.

Como evidência de que se tratava de um mesmo modelo geral de estabilização aplicado a diversos países da América Latina, há as seguintes similaridades entre os vários programas então implantados no quintal dos Estados Unidos, em países que se contorciam em dolorosos espasmos hiperinflacionários:

  • Âncora Cambial (congelamento da taxa de câmbio).
  • Abertura às importações por meio de forte redução dos impostos.
  • Desregulamentação para entrada de capital estrangeiro de curto prazo.
  • Desindexação plena e progressiva da economia.
  • Aumento de impostos.
  • Âncora monetária (alta dos juros).
  • Privatizações.
Todos se lembram do resto do filme. Mas precisam se lembrar de que para um filme ter um fim, precisa ter começo. Ora, o mundo moderno fornece amplos meios para se resgatar cada detalhe dos fatos inquestionáveis que narrei acima. Eles serão extremamente úteis para se combater essa tentativa de revisão histórica que assa no forno da direita brasileira.

Blog Cidadania.com

Em um dos comentários sobre ensino em São Paulo








São 16 anos de PSDB no governo do Estado de São Paulo e 16 belos adjetivos para cada um deles:

AUTORITÁRIO/PERSEGUIDOR/ESCATOLÓGICO/IMCOMPETENTE/INDECOROSO/HIPÓCRITA/SÓRDIDO/SALAFRÁRIO/CORRUPTO/EXTIRPADOR/INERTE/INTRANSIGENTE/INTIMIDADOR/LARÁPIO/IMUNE E LÚGUBRE.

terça-feira, 2 de março de 2010

Privatizações à moda tucana







Basta que Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República recém-ungida por Lula, faça referências bastante genéricas à natural, inescapável relação entre Estado e Economia, e de pronto o deus nos acuda se estabelece. Quem acompanha a cobertura jornalística, quem lê os editoriais dos jornalões, fica exposto à sensação (à certeza?) de que, se Dilma ganhasse as próximas eleições, o Brasil cairia nas mãos da horda estatizante. 

Mauricio Dias, em sua Rosa dos Ventos, agudamente avisou, faz duas semanas, que a divergência quanto à correta interpretação do papel do Estado nos domínios econômicos acabaria por excitar cada vez mais o debate eleitoral. Pois a questão está posta, e ganha tons exasperados, e até anacrônicos, na convicção medieval de que aos barões cabe a propriedade de tudo. 

Nesta edição, o confronto já esboçado está na capa. Aqui me agrada recordar certas, fundamentais circunstâncias em que se deram as privatizações celebradas como trunfo do governo de Fernando Henrique Cardoso, entre elas, em primeiro lugar, o desmantelamento da velha Telebrás, leiloada para uma plateia de barões à sombra do martelo de um punhado de extraordinários leiloeiros. 

Final de 1998, FHC já reeleito, mas ainda não empossado, para o segundo mandato. Operação entregue aos cuidados do então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, de André Lara Resende, presidente do BNDES, de Ricardo Sergio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil. Entre outros menos qualificados. Grampos variados acabaram por revelar o pano de fundo de uma bandalheira sem precedentes na história pátria. 

Foi uma orgia de fitas. Em sua reportagem de capa da edição de 25 de novembro de 1998, CartaCapitaldizia: "Fala-se em 27, mas certeza só tem quem participou dos grampos". Ilegais, obviamente, e desde o início do ano destinados a ouvir as conversas do próprio Luiz Carlos Mendonça de Barros, que ainda estava na presidência do BNDES. O que movia os grampeadores, adversários de Mendonção, era buscar as razões da vertiginosa ascensão da Link Corretora de Mercadorias Ltda., dos filhos do grampeado: em quatro meses de atividade tornara-se a terceira operadora no ranking do Índice Bovespa Futuro. "Cerca de 40% desse índice – sublinhava CartaCapital – era composto por ações da Telebrás, empresa sob o comando do presidente do BNDES." 

O cerco a Mendonção prosseguiu mesmo quando ele se mudou para o Ministério das Comunicações, e ali, no seu gabinete, as gravações mais significativas, relativas ao leilão da Telebrás, foram executadas entre 21 de julho e 21 de agosto de 98. O próprio governo, pego no contrapé, cuidou de divulgar uma versão da fitalhada, com cópias generosamente fornecidas às semanais Veja e Época. Cópias amplamente manipuladas, para provar a lisura dos comportamentos das figuras governistas chamadas a conduzir a privatização do sistema. Ocorre que outros ouvidos entraram em cena, e tiveram acesso a largos trechos cancelados nas versões oficiais. Os ouvidos de Luiz Gonzaga Belluzzo e do acima assinado, que participaram de uma audição especial, e do então redator-chefe, Bob Fernandes, privilegiado em outra ocasião. 

Cito algumas passagens edificantes, que não figuravam nos textos de Veja e Época. De Mendonção para o irmão José Roberto: "O negócio tá na nossa mão, sabe por quê, Beto? Se controla o dinheiro, o consórcio. Se faz aqui esses consórcios borocoxôs são todos feitos aqui. O Pio (Borges, vice-presidente do BNDES) levanta e depois dá a rasteira". De Mendonção para André Lara Resende, novo presidente do BNDES: "Temos de fazer os italianos na marra (Telecom Italia) que estão com o Opportunity (...) fala para o Pio que vamos fechar (os consórcios) daquele jeito que só nós sabemos fazer". De André Lara Resende para Persio Arida, sócio de Daniel Dantas no Opportunity: "Vá lá e negocia, joga o preço para baixo, depois, na hora, se precisar, a gente sobe e ultrapassa o limite". 

As pressões chegam ao clímax, e Mendonção propõe: "Temos que falar com o presidente". E Resende: "Isso seria usar a bomba atômica!" E ele a usa: "Precisamos convencer a Previ", recomenda a FHC. A Previ poderia prestar-se ao jogo, como se prestou no caso da privatização da Vale do Rio Doce. O fundo, contava Carta-Capital na reportagem de capa assinada por Bob Fernandes, "parecia compor-se com o grupo capitaneado por Antonio Ermírio de Moraes, à última hora bandeou-se para a nau pilotada por Benjamin Steinbruch". Na manobra para enredar a Previ no caso do leilão da Telebrás, foi decisiva, segundo os trechos omitidos das versões oficiais, a pronta colaboração de Ricardo Sergio, o diretor do Banco do Brasil. 

Tal é o bastidor das privatizações à moda nativa, ou melhor, tucana. Ou fernandista, se quiserem. A trupe dos privatizadores abandonou a ribalta faz bom tempo, mas não é arriscado imaginar que viva dias pacatos. O mais ostensivo, no seu bem-bom, é André Lara Resende, hoje dono de uma quinta em Portugal. Devotado aos esportes equestres, freta aviões para importar seus cavalos. 

Mino Carta

Carta Capital


Será que eles vão votar no Serra?



Inaugurado pela gestão Gilberto Kassab (DEM) há menos de quatro meses, o terminal Campo Limpo, na zona sul de SP, obriga passageiros a permanecerem até mais de uma hora nas filas para pegar um ônibus com destino à região central da capital paulista



Inferno Astral